domingo, 7 de outubro de 2012

A nostalgia de uma ficção.

Sim.
To.
Sinto muito.
de manhã
de tarde
de noite;
De saudade
a saúde me arde...
Sinto falta.
Salta! te seguro.
mentira, agora eu fujo.
Não te vejo, não te quero
e ainda me deparo
com o perfume no lençol.
Não me salvou, nem tentou.
Foste.
Deixa meus suspiros?
Já não respiro.
é suficente, já chega.
Já sinto, e o cinto direto na carne
abre vergão.
Em carne viva, condimento agridoce
em doses homeopáticas.
não mais toda essa falta não mais;
Falta que fala que mata que sente...
...muito...
sinto muito.

sábado, 1 de setembro de 2012

Como uma febre, invadia seus pensamentos todas as manhãs. Seus não, meus pensamentos. Tinha o gosto amargo do gym envelhecido, da noite passada. Bebida de mulher fraca. No bloco de notas a vida desorganizada. O coração era o espelho em cacos no chão, do copo que escorregara de minha  mão, bem a sua frente. Podia espelhar-se em caquinhos. A maquiagem escorrida manchava o vestido florido, a sola descolada da bota fazia nehc nhec quando caminhava. Nada disso tem nexo.
Nexo:
Nusca mais vou te ver. Nunca mais tocarei seu corpo. Não poderei e nem você ao meu. não temos mais esse direito. Sinto o desespero de quem perde o total controle do carro na chuva em alta estrada, sou incapaz. Neste momento contraio tanto meu abdomen que ele não aguenta e relaxa involuntariamente. Sinto fraqueza de quem não come a muitos anos, meus pés e mãos tremem gelados e minha cabeça pende para frente. Um grito sobe pela minha garganta, ele vem do meu útero  e tenciono o pescoço na tentativa de contê-lo. Meus rosto possui uma forma estranha, faço caretas horriveis. Meus lábios são uma furadeira barulhenta. Não sei o que fazer com as mãos, imagens de lembranças transbordam e abrem buracos de cigarro em meu vestido. A queima-roupa, ferro e fogo sobre a pele doeriam menos. Minha cabeça vai de um lado ao outro guiada pelo nariz que frustradamente não encontrara o perfume que anseia, está longe e a cada segundo mais.Sinto a aspereza do toque da barba na minha pele. Pele, a minha que esta marcada e já não há volta para todas essas tatuagens.

domingo, 19 de agosto de 2012

Uma entre mil histórias de amor - parte 2

Dor nas costelas.
No coração.
A luta entre o coração e o cérebro para ganhar o controle.
O cérebro tentando continuamente racionalizar.
Para remediar.
Para salvar a situação.
A dor arranhando e raspando como uma ave de rapina.
(we)

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Uma entre mil histórias de amor - parte 1

Eles não tiveram filhos. Cuidaram a vida toda dos pais dela. Quando por fim eles morreram quem ficou doente foi a mãe dele. Agora com 94 anos a memória lhe faltava e o filho não faltou, passou 45 dias no hospital com a mãe. Quando ele voltou para casa a primeira coisa que fez foi procurar a esposa. Abraçou-a e passou a mão nos cabelos dela, sentia seu perfume com enorme felicidade. Beijou sua boca e ela permaneceu com os olhos fechados. Logo em seguida tocou com os lábios os olhos ardentes ainda cerrados e quis olhar para eles. Mas ela não abriu um dos olhos e o outro só deixava passar uma fresta de luz bem fininha. Eles não se separavam nunca e quando precisou se ausentar um pouco, de tristeza ou por nunca ter enxergado mesmo, ela perdeu a mobilidade de uma das pálpebras. Agora ela precisa ainda mais do marido, ele é também os seus olhos. Já não os vejo todas as manhãs caminhando de  mãos dadas no calçadão.


(MalkiP)

domingo, 24 de junho de 2012

"Eles se amam. Todo mundo sabe mas ninguém acredita. Não conseguem ficar juntos. Simples. Complexo. Quase impossivel. Ele continua vivendo sua vidinha idealizada e ela continua idealizando sua vidinha. Alguns dizem que isso jamais daria certo. Outros dizem que foram feitos um para o outro. Eles preferem não dizer nada. Preferem meias palavras e milhares de coisas não ditas. Ela quer atitudes, ele quer ela. Todas as noites ela pensa nele, e todas as manhãs ele pensa nela. E assim vão vivendo até quando a vontade de estar com o outro for maior do que os outros. Enquanto o mundo vive lá fora, dentro de cada um tem um pedaço do outro. E mesmo sorrindo por ai, cada um sabe a falta que o outro faz. Nunca mais se viram, nunca mais se tocaram e nunca mais serão os mesmos. É fácil porque os dias passam rápidos demais, é dificil porque o sentimento fica, vai ficando e permanece dentro deles. E todos os dias eles se perguntam o que fazer. E imaginam os abraços, as noites com dores nas costas esquecidas pelo primeiro sorriso do outro. E que no momento certo se reencontrem e que nada, nada seja por acaso."