Dormiu pensando que era Julieta, traída pelo próprio coração os olhos roxos de desespero encharcavam o travesseiro de sonhos azulados e fotografia de cinema - era véspera de natal.
Quando abriu os olhos sabia que precisava ir àquele apartamento, aquele cuja chave se encontrava na sua mão. Vestiu-se e foi. Chegou em frente ao prédio, abriu a porta do apartamento, foi ao quarto. Era uma quarto bem simples, uma cama de casal e um guarda-roupa. Não tinha permissão para mexer no guarda-roupas, sequer olhar podia, não sabemos os monstros que se escondem no armário dos outros...mesmo assim o abriu. Havia algo importante ali, mas não sabia o que. Sentimento intrigante, ninguém procura algo que não quer encontrar, ninguém corre perigo a toa, a não ser que valha a pena, que realmente faça diferença na sua vida e só é preciso um pouco de coragem. Coragem covarde sentia. Mexeu nas roupas, tirou tudo do lugar... casacos, calças, camisetas novas, camisetas velhas, cachecóis, gavetas, caixas, pastas, fotos de agora e fotos de depois e nessa bagunça armada tudo que encontrou fora dezenas e dezenas de caixas de incenso. Do corredor vieram passos e chaves balançando. Guardou tudo de qualquer maneira , ao final olhou e não tinha feito um bom trabalho.Saiu correndo. No corredor um mendigo barbudo, sujo, carregando sacos de lixo e lixo por todo seu corpo. Ele olhou direto no ponto onde os olhos deles podiam riscar uma linha. De repulsa e pressa somente o empurrou para o lado. Um segundo depois reconheceu quem era, reconheceu como se fosse um aroma de infância o olhar terno... um amigo, querido mais que não passava de um amontoado de lembranças.O que ele fazia ali? Talvez só precisasse ser ultrapassado. Logo atrás deste apareceu o dono do apartamento. Um moço misterioso que surpreso arregalou os olhos e engasgou, foi agarrado pelo braço, sacudido e se beijaram na intensidade de ser a última vez, atônitos o dialogo que se seguiu foi assim:
JULIETA: O que você faz aqui?
ROMEU: É MINHA casa, eu moro aqui... o que VOCÊ faz aqui? É natal, a sua família te espera...
(Nesse momento Julieta, a doce Julieta, sabia o que procurava e porque era covarde...)
JULIETA: Quem disse que eu estou aqui?
ROMEU: Não seja abobáda, estou te vendo...!
JULIETA: Cuidado com seus olhos. Não estou aqui, acredite. Isso é um sonho e eu vim te encontrar no seu sonho... nem que esse encontro durasse 1 segundo ou um beijo seu, valeria a pena correr o risco de ficar presa nos meus sonhos...