( N.R)
sábado, 1 de maio de 2010
Ela fazia todo dia a mesma coisa. Os mesmo gestos, o mesmo ângulo de olhar, a mesma lambida nos lábios quando fechava a porta de vagarinho. O corredor tinha um aroma próprio e que todo dia fazia ela sentir a mesma coisa: CASA! Era leve, uma mocinha leve. Não leve de magricela, mas leve de ser feliz com o cheiro do corredor.Ela fora pintada, com penas de fenix e coração de dragão. As cores eram berrantes, do brinco as roupas de baixo que costumava usar. Lembrava muito um quadro de Almodóvar ou um filme de Frida Kahlo. Nos dias de frio paravam-na nos sinaleiros para elogiarem sua leveza. Não era bonita como as manequins, mas era bonita. Cresceu no meio do amor. Não aprendeu a viver de outra maneira senão de amor. Seu pai dizia que o grande problema dela era pensar com o coração. E por ser assim, todo dia ela saia do elevador e deparava com o aroma de casa. Abria a porta de vagarinho, olhava com a cabeça baixa pro colchão do chão, passava a lingua nos lábios. Largava a mochila do lado esquerdo do sofá. Sentava do lado da mochila. Seu dia podia acabar na mochila, mas ela era interessada demais no que havia no colchão. Não pensou duas vezes
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