Era rua.
Se era dia ou se era noite nem sabia.
Mas sabia que era rua.
E ali estava protegida, a multidão te multiplica.
Te camufla, te socorre. Corre.
O peito corre e escorre pelo ralo do banheiro.
Percebeu que percebia que a chuva que chovia
não esvaziava aquele descompasso que sentia.
Perdeu o passo? Nunca o teve na realidade.
É um pulso de rebeldia que não desgarra nunca.
.
.
.
.
.
bateu um 5minutos, sabe? aquele do desesperinho?
Afastou o guarda-chuva xadrez e olhou pro céu.
Os pingos convergiam todos para o seu corpinho.
Amaciaram o cabelo e deixaram acarinhar o belo casaco de veludo que a moça bem despreocupadamente não ligou em compartilhar com eles, os pingos.
Logo em seguida já não sabia quais eram do céu e quais eram dela.
Que necessidade louca de possuir as coisas, não? Deixe que seja tudo uma coisa só.
E mesmo assim queria só pra ela.
Guardou bem guardado o que poderia estragar, porque ela não é assim tão inconsequente.
A chuva agora era ela, porque estava sentada no chão deixando misturar entre águas tudo o que fazia desaguar. O coração gritava e ela nem sabia que ele tinha boca. Gritava alto.
No chão da rua que era nua.
Se era dia ou se era noite nem sabia.
Só sabia que era rua.