domingo, 25 de dezembro de 2011

Conto de Natal

Cena 1

Depois da Ceia de natal, que fora muito farta por sinal ( dois sanduiches de pão com mortadela e refri para cada um), acomodaram-se em um amontoado de papelão que ainda estava seco. A chuva que caia, quando olhavam para cima, neve parecia. Felicidade clandestina - natal com neve e barriga cheia.

Cena 2

Sentada no canto da sala, Luísa toda emburrada afundava na poltrona vermelho sangue. Todos riam a sua volta, a decoração sintilava douradossss. Ela adorava essas futilidades, brilhos e luzes. Mas tinha ódio fumegando nos olhos. Todos beberam muito vinho, não prestaram atenção na pequena cultivando raiva. Ela queria bonecas lindas, que falassem, que comessem, e não um jogo. " O que eu vou fazer com essa droga de jogo de cartas? chamar alguém pra jogar comigo? Parece que ninguém me entende nessa casa... Sabe, eu poderia incendiar essa casa toda, salvar todo mundo e talves assim eles me amariam."
Apertou o jogo entre os dedos, saiu de casa sem avisar ninguém. Madrugada a dentro Luísa mergulhava no breu enluarado.

Cena 3

Luísa foi à pracinha, pensou que o balanço do balanço ajudaria a raciocinar melhor e rápido. Mas ela sentia ódio do mundo. Era tão mimada que nem sabia porque tanto ódio na noite de Natal, mas era tao revoltante que mataria algum infeliz que lhe dirigisse a palavra. Ela nem sabia o que era Natal, a importância disso, os valores disso. Quase chegando na pracinha resolveu atirar longe o jogo de cartaz que mantinha em punho fechado. Arremessou com toda sua força no que ela achou que era lixo. Era a casa de Clarice e Alberto. De repente uma vozinha gritou"AAAAI! ". Luísa para e pensa "Pronto! é agora que o monstro do lixo vai acabar comigo, mas eu sou tão bonita pra morrer assim....". Em vez de correr ficou ali esperando algo de extraordinário acontecer na sua vida. Era o que faltava, um poco de chilli.
Alberto acudiu Clarisse, os dois acharam o objeto que doera e acharam a menina parada olhando pra eles. " É seu? Porque jogou na minha irmã? Dói sabia?"
"me desculpe! achei que era lixo, não tenho bola de cristal pra saber que tem gente que mora no lixo."
"há! Mas não precisa de bola de cristal, é só ter um pouco de sensibilidade, se você tivesse prestado atenção não teria nos acordado."
"bem vocês nem deviam estar dormindo direito mesmo... já vou indo. mmm Feliz natal..."
"Feliz natal mocinha! não temos muitas coisas, mas hoje nos deram muitos presentes e você nos acordou a tempo de vermos essa linda lua! Lua de natal! vou te dar um presente."

Clarice botou na mão dela uma boneca de pano, " ela é bem simples, mas está bem cuidadinha, ganhei da minha mãe, e ela sempre foi uma ótima boneca, acho que você pode cuidar dela agora, tem cheiro de erva-doce!"
Os olhos de Luísa embaçaram, ela agradeceu e foi. os dois ficaram com o jogo.
Ela não era e nem fora uma das melhores pessoas por causa desse gesto. Mas carregava no peito uma enorme gratidão por aqueles dois. Continuou sendo fútil. Conntraditório hãn, como muitas coisas na vida.
Quando sua neta tinha 8 anos teve leucemia. Um dia, já bem fraquinha, ela estava chorando, Dona Luísa se aproximou com a boneca de pano " Um presente! Ela sempre me ajudou, vai te ajudar também!". Sua neta sorriu, tinha uma felicidade absurda. Mas não aguentou e se foi, a mãozinha agarrada na boneca.
Luísa perplexa não derramava uma lágrima, porque estava tudo errado. "Os pais se vão antes dos filhos e não ao contrário." Tinha uma tristeza tão grande, se perguntava o tempo todo porque fora tão burra, se pudesse faria tudo de novo, mas nem sabia se escolheria certo, não sabia o que era certo. Não havia explicação nem justificativa. Acho que ela fora má outras vezes, ou só não fez nada, indeferença mata. Foi ai que a vida lhe cobrou. Era Natal e chovia.