Sol maravilhoso. Calor dos deuses.
- Na volta paramos aqui.
- Sim.
- Deve dar pra mergulhar.
- Vamos nadando.
- Lógico.
(continue a nadar, continue a nadar...)
De cima do trapiche abandonado o mundo era lindo.
O sol ilumava seu rosto, seus olhos camuflados se confundiam com o mar. Lindo.
No mergulho a água refrescava, mas tive medo de machucar meus pés.
Deitada no chão pedregoso, praticamente no meio daquela imensidão azul, era tudo o que eu tinha : você e o mar.
Ali no meio do nada e sendo centro do mundo rezei baixinho pra dona janaína deixar
a gente ser feliz.
Ela penteou meus cabelos, o vento quente secava nossos corpos .
- Obrigada. Isso foi uma felicidade... clandestina.
- O que?
-Estar aqui com você.
-como assim? eu nao entedo felicidade clandestina... Pra mim é quando não se espera que seja felicidade.
Eu não disse mas o deveria ter feito:
- É aquela que é sua num momento que seria passado desabercebido.
É só sua porque só você sabe o valor que ela carrega. E pode ser a coisa mais simples do mundo, pode ser a virgula numa frase, um olhar, um segundo de plenitude.
Não foi isso que eu respondi. Queria ter dançado pra você, naquele horizonte.
Queria ter cantado de manhã.
Deveriamos ter ficado mais naquele lugar.