quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Naquela sala quadrada que só tinha um piano, uma parede espelhada e um rádio como adereços de cena, estavam os três sentados no chão como se fosse crianças exaustas depois de brincar um dia inteiro. Era uma tarde cansada e apenas aquele raio de sol entrava na sala pela fresta que a cortina fazia quando era balançada pelo vento. E tinha música também, estava ali desde o começo, mas foi só quando canssei e deitei na perna dele que percebi a música. Acho que foi porque fiquei quieta por mais de um minuto.
Ele desembaraçou o meu cabelo com a ponta dos dedos, os mesmos que a pouco seguravam um toquinho de cigarro. Permaneci quieta, os outros dois falavam e falavam e falavam... o sol avisava que já entardecia, entrava na sala direto nos olhos dele, que para mim parecia duas luas ensolaradas!E ela continuava a falar.Vez ou outra era requisitada, mas não era preciso mais do que um sorriso ou um piscar de olhos para que compreendessem que eu só queria ficar ali, parada, com ele mexendo devagarzinho no meu cabelo. E a outra falando de futebol. Ela soltou o cabelo, esparramou-se pelo chão como se fosse um estrela-do-mar preguiçosa e não parava de contar histórias da menina que era. Garota divertida e geniosa.
Às vezes era a vez de um ou de outro contar histórias felizes, contos tristes, verdades envergonhadas e fofocas fofocadas. Ele falou de coisas de muito antes e de coisas de muito agora. Não me lembro bem, mas devo ter falado apenas sobre fofocas...
E o tempo não avisou, ficou quietinho esperando que a cena não terminasse. Mas já era hora, hora de ir pra casa, e a cena ali permaneceu... CEna congela!

( -Horas a meio-fio-)
M.P

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