"Não era como das outras vezes, eu tinha certeza...eu não observava de longe, era eu mesma nos meus olhos...
Sentia o calor da mão que me segurava na altura das costelas, sentia a força que fazia, não havia saída, não fazia sentido. Uma proposta indecente feita na frente de uma porta entreaberta. As mãos que agora me seguravam pelo braço afrouxaram bem de leve, desviei meus olhos para dentro do cômodo, procurei os olhos daquelas mãos como numa despedida e... corri. Sem hesitar, sem pensar, sem arrependimento corri, corri e corri. As borboletas no meu estômago estavam bêbadas de medo, me faziam correr para cada vez mais longe e não se permitiam cansar, não podiam parar...não agora. Lágrimas de decepção surgiram, elas tinham vida própria, desciam e dançavam na minha face gelada do vento. Parei quando meu corpo não podia mais acompanhar a vontade desesperada de me afastar daquilo que eu não podia acreditar, daquilo que eu não queria acreditar...
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