(Sonhos encartados III - M.P)
sexta-feira, 31 de julho de 2009
terça-feira, 28 de julho de 2009
Esperas da chuva...?
- só chuva -
umidece as pálpebras,
brotam em torrões de açucar aquelas gotas aladas
que o ar atrai...
Irrompem brutais e ardidas
escorrendo pela face dura que não permite
se apropriar daquilo que não a deixa incólume
das incertezas do mundo.
Não finge para si, chuva não finge que molha,
faz trasbordar agonizante o que não é tátil
para qualquer.
O quanto da sua vida desperta deixa-se contaminar
por sonhos.
- só chuva -
umidece as pálpebras,
brotam em torrões de açucar aquelas gotas aladas
que o ar atrai...
Irrompem brutais e ardidas
escorrendo pela face dura que não permite
se apropriar daquilo que não a deixa incólume
das incertezas do mundo.
Não finge para si, chuva não finge que molha,
faz trasbordar agonizante o que não é tátil
para qualquer.
O quanto da sua vida desperta deixa-se contaminar
por sonhos.
(M.P)
(Baisse de l'amour)
(Baisse de l'amour)
quinta-feira, 23 de julho de 2009
Aos olhos alheios
Agora todas as ações que ela observava, soava não como um instante daquela monotonia, que se passava mais lentamente, mas sim com um triste fim de desilusão. Um simples olhar podia fazê-la pensar em suas atitudes. Um riso alado, agora tinha o som festejante de uma surpresa já esperada. Todas aquelas vozes sem donos tinham um som fúnebre que destruía aos poucos o que pouco já queria. Chateava-se fácil, ria pouco e fazia menos amigos a cada dia. Seu riso efusivo, agora era uma dádiva agraciada por poucos. Parecia pálida, mas não estava, agora, ela pouco fazia questão de usar maquiagens ou ainda de pintar suas unhas de vermelho. Sentia-se viva, entretanto, queria um minuto sem respirar toda aquela imundície que os outros achavam comum estando tão impregnado em seus ares. Seu cérebro palpitava mais que seu coração. Resistia! Cansada, ela já não queria mais brigar ou ainda aquietar-se. Ela queria voltar a sentir-se tocada pela vaga nostalgia de um passado que jamais a pertencera.
domingo, 19 de julho de 2009
Soneto de separação
"De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama
De repente não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente
Fez-se do amigo próximo, distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente."
Vinicius de Moraes
"De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama
De repente não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente
Fez-se do amigo próximo, distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente."
Vinicius de Moraes
quarta-feira, 15 de julho de 2009
[...]
Será mais nobre sofrer na alma
Pedradas e flechadas do destino feroz
Ou pegar em armas contra o mar de angústias -
E, combatendo-o, dar-lhe fim? Morrer; dormir;
Só isso. E com sono - dizem - extinguir
Dores do coração e as mil mazelas naturais
A que a carne é sujeita; eis uma consumação
Ardentemente desejável. Morrer - dormir -
Dormir! Talvez sonhar. Aí esta o obstáculo!
Os sonhos que hão de vir no sono da morte
Quando tivermos escapado ao tumulto vital
Nos obriga a hesitar: e é essa reflexão
Que dá à desventura uma vida tão longa.
Pois quem suportaria o açoite e os insultos do mundo,
A afronta do opressor, o desdém do orgulhoso,
As pontadas do amor humilhado, as delongas da lei,
A prepotência do mando, e o achincalhe
Que o mérito paciente recebe dos inúteis,
Podendo, ele próprio, encontrar seu repouso
Com um simples punhal? Quem aguentaria fardos
gemendo e suando numa vida servil,
Senão porque o terror de alguma coisa após a morte -
o país não descoberto, de cujos confins
Jamais voltou nenhum viajante - nos confunde a vontade,
Nos faz preferir e suportar os males uqe já temos,
A fugirmos pra outros que desconhecemos?
E assim a reflexão faz todos nós covardes.
e assim o matiz natural da decisão
Se trasnforma no doentio pálido d pensamento.
E empreitadas e vigor e coragem,
Refletidas demais, saem de seu caminho.
Perdem o nome de ação.
[...]
Será mais nobre sofrer na alma
Pedradas e flechadas do destino feroz
Ou pegar em armas contra o mar de angústias -
E, combatendo-o, dar-lhe fim? Morrer; dormir;
Só isso. E com sono - dizem - extinguir
Dores do coração e as mil mazelas naturais
A que a carne é sujeita; eis uma consumação
Ardentemente desejável. Morrer - dormir -
Dormir! Talvez sonhar. Aí esta o obstáculo!
Os sonhos que hão de vir no sono da morte
Quando tivermos escapado ao tumulto vital
Nos obriga a hesitar: e é essa reflexão
Que dá à desventura uma vida tão longa.
Pois quem suportaria o açoite e os insultos do mundo,
A afronta do opressor, o desdém do orgulhoso,
As pontadas do amor humilhado, as delongas da lei,
A prepotência do mando, e o achincalhe
Que o mérito paciente recebe dos inúteis,
Podendo, ele próprio, encontrar seu repouso
Com um simples punhal? Quem aguentaria fardos
gemendo e suando numa vida servil,
Senão porque o terror de alguma coisa após a morte -
o país não descoberto, de cujos confins
Jamais voltou nenhum viajante - nos confunde a vontade,
Nos faz preferir e suportar os males uqe já temos,
A fugirmos pra outros que desconhecemos?
E assim a reflexão faz todos nós covardes.
e assim o matiz natural da decisão
Se trasnforma no doentio pálido d pensamento.
E empreitadas e vigor e coragem,
Refletidas demais, saem de seu caminho.
Perdem o nome de ação.
[...]
(Sir W.S)
segunda-feira, 13 de julho de 2009
terça-feira, 7 de julho de 2009

Escolho meus amigos não pela pele, mais pela pupila. Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. A mim não interessa os bons de espírito, nem os maus de hábitos, fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. Deles não quero resposta, quero meu avesso. Quero que me tragam dúvidas e angústias e que aguentem o que há de pior em mim. Para isso, só sendo louco. Escolho meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta. Não quero só ombro ou colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis nem choros piedosos. Não quero amigos adultos nem chatos. Quero-os metade infância a outra metade velhice! Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto e velhos, para que nunca tenham pressa. Tenho amigos para saber quem eu sou...
domingo, 5 de julho de 2009
quarta-feira, 1 de julho de 2009
Rosa de água doce...
** Que a luz da lua escorra
Pela pele e pelos pêlos...
Que a vida lhe dê muita saliva
Pra lamber sonho em carne viva
Que seu riso não tenha o mínimo pudor.**
Pela pele e pelos pêlos...
Que a vida lhe dê muita saliva
Pra lamber sonho em carne viva
Que seu riso não tenha o mínimo pudor.**
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