sexta-feira, 11 de março de 2011

Si te miras en un espejo

Chovia uma chuvinha insistente e carinhosa.
Se não segurasse uma sacola de papel, andaria balançando os braços bem desengonçada como só ela era. Numa mão um guarda-chuva verde, na outra a sacola de papelão.
Para cortar caminho, por conta da chuva, preferiu "enrapidar-se" pelo meio dum parque. Parque ao meio, era mais um parque ao meio. Olhava para os pés, para os pés dentro dos tênis. O barulho da chuva misturada com pisadas nas pedrinhas do chão e pessoas mal encaradas deixavam o ar suspenso. Uma perseguição paranóica de vontade de viver em filme.
Nessa imensidão inventada foi que tudo se acalmou, ou se agitou tanto que não podia definir.
Beirando o lago parou, bem na beiradinha do mundo. Do mundo dela e daquele mundo através do espelho.
A chuva fazia o lago ferver por dentro. Bom era isso que ela sentia, ali bem de pertinho não dava para ver a chuva caindo, só dava pra sentir que atravessava a superfície e fervia. O nariz quase tocava a fina e insípda camada de aguá (sólida,era concreto do ângulo que olhava) , a mão apoiada no chão e gotas brilhavam o anel do terceiro dedo de lá para cá. Queira ser gota e ferver por dentro, queria espelhar do lado de lá, só um pouquinho. Ia ser bem rapidinho. Mas ai lembrou de narciso e se afastou como quem leva um susto, não morreria por vislumbrar sua própria beleza. Mas morreria por qualquer coisa um pouco mais fervente de vida.

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