terça-feira, 31 de maio de 2011

Algodão doce

Vumm. E lá estava ela de olhos abertos, mirando o teto. A cama quentinha abraçava seu corpinho, mas ela era comprida e faltava cama para tanto comprimento de gente.Desceu um pé e outro pela lateral da comodozinha e andou até a janela suada. Com o nariz amaçado no vidro embaçado, o cabelo desgrenhado, olhava e tentava enxergar qualquer coisa em que ela pudesse fazer foco. Estava perdida num fundo infinito total de nada. - Fazia um frio desgraçado, estava frio fora e dentro dela. Não conseguiu se vestir decentemente, já havia reparado anteriormente que quando ela estava triste suas roupas entravam em desacordo. - Desceu as escadas, na mesa café saindo fumacinha e pão quentinho. Nem lhe aguçou o paladar. Abriu a porta da frente e mergulhou dentro da imensidão de algodão doce branquinho branquinho. Vazio por todos os lados. E preencheu o espaço do aperto no peito por vazio. Os pés sujos de barro e grama aterravam ela de uma forma tão constrangedora que estava nua por dentro. Nua. A sua transparecia a bastava, sinceridade de sentir vontade de lançar-se no escuro. Dançaria até morrer. Morreu por ter que escolher, esta morrendo.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Sentaria na beiradinha,
beeem na beiradinha do meio fio
e te contaria as belezuras do mar
as doçuras do meu olhar.
E sedenta suportaria com bravura
aqueles dois segundos que antecedem
o ínfimo toque de onde partem as palavras para o mundo.
Mas é que as palavras não são da boca pra fora...
São do corpo pro mundo.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Visões de uma cidade.


No espelho não se reconhecia,
a barba por fazer não o incomodava mais.
Um corpo estrangeiro porque vivia num tempo/espaço intervalar,
Era um estranho dentro e fora da sua casa.

(M.P -texto e foto)