terça-feira, 31 de maio de 2011
Algodão doce
Vumm. E lá estava ela de olhos abertos, mirando o teto. A cama quentinha abraçava seu corpinho, mas ela era comprida e faltava cama para tanto comprimento de gente.Desceu um pé e outro pela lateral da comodozinha e andou até a janela suada. Com o nariz amaçado no vidro embaçado, o cabelo desgrenhado, olhava e tentava enxergar qualquer coisa em que ela pudesse fazer foco. Estava perdida num fundo infinito total de nada. - Fazia um frio desgraçado, estava frio fora e dentro dela. Não conseguiu se vestir decentemente, já havia reparado anteriormente que quando ela estava triste suas roupas entravam em desacordo. - Desceu as escadas, na mesa café saindo fumacinha e pão quentinho. Nem lhe aguçou o paladar. Abriu a porta da frente e mergulhou dentro da imensidão de algodão doce branquinho branquinho. Vazio por todos os lados. E preencheu o espaço do aperto no peito por vazio. Os pés sujos de barro e grama aterravam ela de uma forma tão constrangedora que estava nua por dentro. Nua. A sua transparecia a bastava, sinceridade de sentir vontade de lançar-se no escuro. Dançaria até morrer. Morreu por ter que escolher, esta morrendo.
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