sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Hoje me falaram uma coisa que não me era racionalmente consistente, agora é.
Me exlicaram que a arte não é uma area de conhecimento, que aquilo que eu danço não tem como objetivo tratar as coisas como se pudessemos por numa lâmina, um pouco de mercurio e o mundo se abriria num microscópio. Não, arte é o que esta na relação intrínsica do ser humano com todas as coisas, com todas as possibilidades. O que transcende qualquer explicação, porque ela não é didática, ela é sentida. É substancial, é da base do ser humano, é o que move o ser humano sem que ele reconheça o que move. É o que Me move, a paixão.
Fiquei feliz em entender isso. Entendo pouco de muitas coisas. Mas fui sinceramente feliz durante os 10 minutos em que estavam me falando isso. Fui feliz porque entendi que tudo bem sofrer, chorar, não conseguir comer (me assusta isso), arrepiar, procurar um perfume que não vai achar, tatear o ar e sentir o vazio. Tudo bem sentir euforia e rir de desespero, de com ternura olhar uma criança na praça brincando com a leveza dos inocentes (embora crianças sejam más), de querer fotografar o beijo apaixonado dos namorados no meio da rua, sentar num banco e esperar o tempo passar... pra passar. Foi uma felicidade clandestina sentir que sinto e que me era sincero o gosto de não ter vontade. E por não ter, não precisar mover um dedo. Só sentir o vento acariciar o cabelo e amortecer os lábios. Não fugi de sentir, não dormi, fiquei de olhos abertos pensando. A tristeza nos deixa lúcidos (me disseram isso também). As vezes eu paro para escutar as pessoas, na maioria das vezes não. A minha felicidade de 10 minutos se completou mais ainda quando pensei: sorte minha me dar conta de todas essas coisas e não só me preocupar com a calça que rasgou quando tentou colocá-la um dia após ter chorado e esperneado semeando a discórdia, pq alguém que pensa isso ou realmente é muito bobinha, e fútil, ou quis ser só ruim. Afinal com coração não se brinca, não cabe não dar importancia pro que se sente. Conclusão científica: quis ser ruim. E acabou com a minha vida.

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