sexta-feira, 26 de março de 2010
É que as chuvas de verão são passageiras, igual as fases da Lua. Só que a lua vai e vem... as chuvas de verão são imprevisíveis, gosto das coisas mais estáveis, mas se nem eu sou como posso pedir pra natureza ser. A verdade é que toda essa instabilidade é uma aventura. Acordar é uma aventura. Há de ter compreensão do próprio estado; não venho sendo clara, quanto mais gema, mas tenho medo de gavião. Tenho medo da Lua; Ser pega de surpresa com uma chuva de verão, muitas vezes é dançar em tempo real.E ser no momento. Como um apelo desesperado só pode ser feito naquele momento, quando passa, apenas passou e não existiu. O que existiu foi a possibilidade. o mar é uma possibilidade, vou pro mar me afogar, vou amar.
domingo, 14 de março de 2010
terça-feira, 9 de março de 2010
Pisadelas
Nesse mundão de Deus, caminhar na terra seca anda cada vez mais difícil. Na verdade não é agua que faz falta, é só que a mão da esperança quase me escorrega, quando o sol apina e o suor me empapuça a roupa.Turva a visão. Os imaginários oásis são a salvação; enfio as próprias unhas na altura do pulso até sangrarem, como se pudesse me agarrar pelos punhos e me transportar á sombra de algumas árvores e me refrescar com a água dos orixás. Odoiá, Dona Janaína! O ar é denso e quente durante o dia, a noite é bem fresco (as vezes até mesmo muito frio) e venta, mas as tempestades de areia que ocorrem com frequência podem ser mortais. A verdade é que não é difícil respirar, as vezes é preciso segurar a respiração... principalmente a noite, quando a esperança sai pra dar uma volta nas dunas e fico me esquentando na fogueira improvisada. Quando a angústia me aperta o peito e parece que meus ossos vão quebrar, quando a bochechas enrubescem sem motivo e um nó na garganta me deixa sem voz, quando percebo que vou explodir em lágrimas se esperar mais alguns segundos, seguro minha boca e meu nariz com as mãos até que se formem poças salgadas nos pés sujos e guerreiros, e quando não houver mais força para sustentar o corpo é que eu posso me liberar e deixar o corpo exausto de tristeza cair na areia que arranha. Se respirar, as lágrimas se misturam à poeira do vento e você acaba por aspirar isso, te matando. A questão não é o quanto se aguenta sem respirar e sim respirar no momento certo e não existe um certo apenas e nem verdade absolutas. Porque eu choro? Porque aqui sou só uma. Singular e individual. Tenho a "Esperança" pra não ficar louca e cometer loucuras contra minha própria vida. Mas tirando isso, sou só. Porque sinto saudades...saudades que rasgam o fígado. Porque me ensinaram a falar, falar de tudo e agora me reservo á uma voz interiror que grita, porque me disseram que pensar com o coração era a forma mais fiel de viver e não me importei de viver para que me arrancassem isso da forma mais dolorida(com o olhar sincero que diz: vc me machuca e me aprisiona, quero ser livre!). Porque tive comida e a desprezei, porque tive bebida e voltei borracha pra casa. Porque aqui a liberdade é prisão, Vida dura do sertão.
sexta-feira, 5 de março de 2010
Humilhada e desesperada, não via saída para tal pobreza, para tal desfortúnio de sua vida. Quase abandonara o embrulho feito de linho e algodão que protegia seu pequeno rebento da doença e do frio; Seu filho estava gravemente ferido e não havia dinheiro para comida, muito menos para um atendimento médico adequado. O menino ardia em febre, ele tinha uma infecção muito grave no pé direito por conta de pisar num espinho. A mãe saiu correndo até o lago mais próximo, que se situava a 30 minutos ao sul do vilarejo. Entrou na água fria e foi indo até o pés não alcançarem mais o chão, tomou sem querer daquela aguá e desejou ser consumida pelo lago, desde que com isso seu filho pudesse ter a chance de viver. Algo a emergiu, ela caminhou até a margem. A roupa estava toda rasgada e seus lábios roxos de frio. Agarrou um punhado de terra e lembrou dos rituais que seu povo fazia antigamente. Agachou-se na terra seca e fria, nem reparou o momento em que começou a recitar antigas preces. Dançava as batidas do coração. Um calor inexplicável a incendiou e gritava e se movia como um animal, até desfalecer e tudo parou. Parou o vento que zunia, o lago não correu, o fogo do seu corpo foi sumindo, a terra assentou como se nunca tivessem pisado ali. Um pescador foi ao lago aproveitar a lua e viu o corpo da índia. Viu que respirava bem suave. No colo a levou de volta pro vilarejo. Se recompôs com ajuda de um médico e perguntou por seu menino. Quando o viu sentiu enorme gratidão pelo deuses. Não havia mais febre, o pé desinchou, quando a viu deu um sorriso tão grande que iluminou seu interior materno.Via esperança de uma vida em meio a miséria da sobrevivência. Mesmo com a pouca força foi ao lago e agradeceu, agradeceu com todo amor que sentia!Lhe concederam um milagre.
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