sexta-feira, 5 de março de 2010
Humilhada e desesperada, não via saída para tal pobreza, para tal desfortúnio de sua vida. Quase abandonara o embrulho feito de linho e algodão que protegia seu pequeno rebento da doença e do frio; Seu filho estava gravemente ferido e não havia dinheiro para comida, muito menos para um atendimento médico adequado. O menino ardia em febre, ele tinha uma infecção muito grave no pé direito por conta de pisar num espinho. A mãe saiu correndo até o lago mais próximo, que se situava a 30 minutos ao sul do vilarejo. Entrou na água fria e foi indo até o pés não alcançarem mais o chão, tomou sem querer daquela aguá e desejou ser consumida pelo lago, desde que com isso seu filho pudesse ter a chance de viver. Algo a emergiu, ela caminhou até a margem. A roupa estava toda rasgada e seus lábios roxos de frio. Agarrou um punhado de terra e lembrou dos rituais que seu povo fazia antigamente. Agachou-se na terra seca e fria, nem reparou o momento em que começou a recitar antigas preces. Dançava as batidas do coração. Um calor inexplicável a incendiou e gritava e se movia como um animal, até desfalecer e tudo parou. Parou o vento que zunia, o lago não correu, o fogo do seu corpo foi sumindo, a terra assentou como se nunca tivessem pisado ali. Um pescador foi ao lago aproveitar a lua e viu o corpo da índia. Viu que respirava bem suave. No colo a levou de volta pro vilarejo. Se recompôs com ajuda de um médico e perguntou por seu menino. Quando o viu sentiu enorme gratidão pelo deuses. Não havia mais febre, o pé desinchou, quando a viu deu um sorriso tão grande que iluminou seu interior materno.Via esperança de uma vida em meio a miséria da sobrevivência. Mesmo com a pouca força foi ao lago e agradeceu, agradeceu com todo amor que sentia!Lhe concederam um milagre.
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