Nesse mundão de Deus, caminhar na terra seca anda cada vez mais difícil. Na verdade não é agua que faz falta, é só que a mão da esperança quase me escorrega, quando o sol apina e o suor me empapuça a roupa.Turva a visão. Os imaginários oásis são a salvação; enfio as próprias unhas na altura do pulso até sangrarem, como se pudesse me agarrar pelos punhos e me transportar á sombra de algumas árvores e me refrescar com a água dos orixás. Odoiá, Dona Janaína! O ar é denso e quente durante o dia, a noite é bem fresco (as vezes até mesmo muito frio) e venta, mas as tempestades de areia que ocorrem com frequência podem ser mortais. A verdade é que não é difícil respirar, as vezes é preciso segurar a respiração... principalmente a noite, quando a esperança sai pra dar uma volta nas dunas e fico me esquentando na fogueira improvisada. Quando a angústia me aperta o peito e parece que meus ossos vão quebrar, quando a bochechas enrubescem sem motivo e um nó na garganta me deixa sem voz, quando percebo que vou explodir em lágrimas se esperar mais alguns segundos, seguro minha boca e meu nariz com as mãos até que se formem poças salgadas nos pés sujos e guerreiros, e quando não houver mais força para sustentar o corpo é que eu posso me liberar e deixar o corpo exausto de tristeza cair na areia que arranha. Se respirar, as lágrimas se misturam à poeira do vento e você acaba por aspirar isso, te matando. A questão não é o quanto se aguenta sem respirar e sim respirar no momento certo e não existe um certo apenas e nem verdade absolutas. Porque eu choro? Porque aqui sou só uma. Singular e individual. Tenho a "Esperança" pra não ficar louca e cometer loucuras contra minha própria vida. Mas tirando isso, sou só. Porque sinto saudades...saudades que rasgam o fígado. Porque me ensinaram a falar, falar de tudo e agora me reservo á uma voz interiror que grita, porque me disseram que pensar com o coração era a forma mais fiel de viver e não me importei de viver para que me arrancassem isso da forma mais dolorida(com o olhar sincero que diz: vc me machuca e me aprisiona, quero ser livre!). Porque tive comida e a desprezei, porque tive bebida e voltei borracha pra casa. Porque aqui a liberdade é prisão, Vida dura do sertão.
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